Sobre a alquimia do amor

"E que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor e a outra metade também..." online

Cá estava eu, cega e apaixonada
buscando encontrar em ti
o que faltava em mim.

Buscando entender a dor
que a tua falta me provoca,
sufoca.

Não toca,
porque dói.
Corrói.

Saudade é crack que provei sem perceber 
quando comecei a amar você.
Enlouquecer,
padecer por ti.

Por onde andas?
Por que fostes, moço?

O teu sorriso é o alvorecer da penumbra
que meu coração se encontrava.

Kimberley Cunha

Querida Maggie,

O tempo se passou. O tempo realmente se passou. As coisas não são como antes. Passaram-se vinte anos. Mag, vinte anos. Ainda lembro-me das nossas juras de amor. Lembro-me das tardes em que passávamos nos parques, florestas, trilhas… Lembro também daquela tarde em que fomos para a praia, você recorda? Nós brincávamos como dois adolescentes. Lembro que te pus para baixo d’água, simulando um afogamento. Você sumiu por dentro das águas. Nunca me encontrei tão desesperado. Te perdi por alguns minutos. Foi algo bom para mim, Mag. Percebi que não poderia nunca te deixar ou desistir de ti. Eu não consigo viver sem ti. E por isso, minha combinação de doce e sexy, sei que já se passaram vinte anos, mas existem mais de duzentas cartas como esta aqui. Eu literalmente te persegui por todos esses anos. Na varanda do seu apartamento, tomando seu cappuccino às exatas 16:46. Seus ensaios e apresentações de ballet (eu sempre fui a todas, não faltei nenhuma!). Suas compras no shopping… Fui até a exposição de flores. E você me conhece, odeio flores. Tive uma crise alérgica por uma semana. Mas consegui ver teu sorriso, e Mag… Eu poderia morrer ali. Como prometi, não te abandonei. Nunca irei te abandonar. Não te culpo por não me suportar, apenas peço para voltar. Volta para mim, meu Jasmim.

Apenas e eternamente seu, Seth.

Kimberley Cunha

Uma boa leitura e uma bela paisagem. Teus olhos remetiam à memória a cada verso do Camões. Como se estivesse olhando no fundo dos teus olhos enquanto meus ouvidos escutavam teus lábios carnudos e tentadores recitarem. Mas meus devaneios eram curtos e a bela paisagem mostrava a realidade… Era belo e encantador, mas não era você. Não eram os teus olhos envolventes e cativantes despertando desejo. Não era a tua voz grave e excitante recitando para mim. Não passavam de devaneios que tentavam preencher as lacunas que tu deixaste quando preferiste partir mar adentro. Fazem meses do acontecido, de fato. Mas tu sabes que eu nunca soube lidar com partidas, despedidas e com aquela palavra de cinco letras que só de pensar me dá refluxo… A-d-e-u-s. Meu corpo reage de forma irreconhecível… As lágrimas invadem o rosto, as lembranças atormentam a memória e ao começar a entender que uma despedida está acontecendo, o cérebro automaticamente apaga os momentos bons e ruins, a possibilidade do reencontro e consegue apenas ecoar “adeus”, me transformando num ser frágil, desolado e solitário. Como se a cada partida um membro meu fosse levado consigo. Me sinto sem mim. Existem mais partidas que chegadas escritas. Sou apenas físico, um corpo incompleto, deixado como objeto esquecido que foi usado e enjoado. Não serve. Só sente. E adeus.

Kimberley Cunha

O primeiro alvorecer de sanidade mostrava a ausência de amor por mim mesma. O que o espelho refletia não mostrava ser o suficiente. Me sentia oca. Faltavam motivos para continuar respirando. Martirizar-me mostrava ser a melhor alternativa. Acabar comigo mesma havia entrado e saído inúmeras vezes da minha mente, mas nunca foi feito. Tentativas nulas e covardes. Faltava conclusão… uma parte de mim afirmava que o feito não seria solução. A situação em que me encontrava era clara: uma criatura desamável, desajustada, cheia de temores e basicamente defensiva. Buscando encontrar os reais motivos para preencher-me de mim mesma. Enfim dado o real alvorecer de sanidade psicológica, encontrado num nascer do sol de uma manhã cinza, monótona, solitária e fria. A caminhada longa despertava pensamentos desencadeados e reflexivos. “Onde me perdi?” “Por onde andei?” “Como vi parar aqui?” Possuía plena convicção de que as respostas encontravam-se em mim e que procurar em outras pessoas o que faltava seria tolo. Nem o mais atraente, belo e encantador dos estereótipos existentes seria o suficiente. Necessitava de mais mim. Afogar-me de eu. Seria possível? Amar-me mais quando não existia tampouco amor pela vida? Ao longo do caminho as lembranças da infância tornaram-me atormentar. A falta de amor vinda da minha mãe e a ausência de um pai, mostravam-me cada vez mais que eu não havia conhecido o sentimento. Apenas decepções em um coração tão desgastado e ao mesmo tempo tão aberto a novas pessoas, experiências… e decepções. Olhei o mar e me senti viva pela primeira vez. Respirei o ar puro daquele belo local e sorri. A alegria poderia ser sentida por todos os órgãos do meu corpo. Não havia encontrado apenas uma resposta, mas um motivo para continuar vivendo. “Todo rio deságua no mar.” Por mais que o percurso seja longo e os caminhos não tão fáceis, todo rio deságua no mar. Encontrar a felicidade plena poderia levar certo tempo, mas a penumbra havia se dispersado. Eu sou um rio que quer ser oceano.

Kimberley Cunha

Me encantei por teu sorriso, moço. Apaixonei-me a milésima vista. Não sabes o quão difícil é prosear contigo sem expressar amor tamanho. Eu quis te conhecer, eu quis mostrar o meu melhor sorriso, encantar-me cada segundo mais por teu olhar. Eu quis me apaixonar. E tenho que aceitar… você só enxerga o que convém. - Tolo, pensei - Entreguei meu mundo e você sorriu. Como quem nada quer… como quem opta a solidão por não poder entregar o coração. Você quis seguir sozinho. Eu sempre estive aqui, só você não viu. Dei a ti minh’alma por um sorriso teu, e tu decidiste pular do abismo que me levou para longe de ti. - Ecoava em meus pensamentos ‘o pior cego é aquele que não quer ver’ num tom gradativo - Desaparecestes entre as tuas próprias utopias… as cortinas se fecharam, o encanto acabou.

Kimberley Cunha

incredible-girl: Eu amo o seu tumblr, sua linda <3

E eu amo você. Minha linda!

Eu sei o que você é, Claire. A quietude em busca da agitação. O medo em busca do perigo. O cego em busca da luz. O exagero em busca da simplicidade. O coração em busca de alguém. Tu consegues ser o que ninguém é, pelo simples fato de jamais desistir do que almeja. És uma eterna busca, uma eterna persistência. O mortal em busca do imortal. És o sonho alto demais. És pés nos céus, e cabeça no chão. A contradição. És a linha tênue entre o possível e impossível. O que jamais se satisfaz. És a perfeição, em busca da imperfeição.

Kimberley Cunha

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